terça-feira, 2 de junho de 2015

O que tu sabes do amanhã?

Eu não sei de nada, mas espero muitas coisas.

Eu não sei se estarei viva, mas espero que sim.

Eu não sei se vou ter saúde, mas espero que sim

Eu não sei se vou estar feliz, mas espero que sim

Eu não sei se vou conseguir fazer as minhas coisas, mas espero que sim

Eu não sei se...

Se eu não sei do meu amanhã, como saberei do próximo mês, do próximo ano?

Não costumo desejar que o mês acabe logo, nem pragueja-lo, pois não sei se o próximo será pior, e olha que pode sim.

Não costumo desejar que o ano acabe logo, não faço a mínima ideia de como será o próximo.

Não consigo viver assim.

Cada dia que se passa é menos um de vida e mais um que pesa na idade.

O que eu sei? Que não há garantia de que o amanhã será melhor ou pior, e nem de que haverá o amanhã.

Já pensou, eu desejar muito que esse mês passe logo por eu estar passando por um momento horrível (que nada tem a ver com data) e morro no mês seguinte? Cruz-credo. 

Os problemas não vão desaparecer por que o mês mudou, o ano mudou, ele vai desaparecer quando for resolvido, igual a uma expressão matemática. Quando você não sabia resolver uma equação, ela desaparecia na virada do mês? Nunca. Ou se resolve, ou se engaveta. Não precisa esperar dois, quatro, seis meses ou um ano para fazer isso.

Tanto se fala em aproveitar a vida, cada minuto, cada instante, mas como fazer isso pulando de mês em mês?

Deixo aqui um poema que acho tem a ver com o que escrevi:


O Relógio

"Diante de coisa tão doída
Conservemo-nos serenos

Cada minuto da vida
Nunca é mais, é sempre menos

Ser é apenas uma face
Do não ser, e não do ser

Desde o instante em que se nasce
Já se começa a morrer."


Cassiano Ricardo


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